A Groovy Kind of Phil

Não é todos os dias que nos encontramos com uma mega estrela da música a nível internacional, daquelas que são conhecidas de Singapura à Birmânia, do Peru às Filipinas. Ainda por cima, quando estas situações afortunadas acontecem a sorte traz-nos exactamente “aquela” figura que um dia gostávamos de conhecer.

Foi precisamente o que aconteceu comigo, no belo final de ano de 1990, quando tirei as minhas merecidas férias, após um ano intenso de trabalho e corridas de automóveis. Marquei tudo impecável em Sierra Nevada, pois estava disposto a ter umas férias em cheio, na neve, num ambiente descontraído mas também com oportunidade de desfrutar ao máximo das pistas de ski.

Fiquei magnificamente instalado no Hotel Kenya-Nevada, um local francamente tranquilizador e ideal para umas férias bem passadas. Ao fim de algumas horas naquele sítio, caíu um monumental nevão que deixou a “sierra” toda branca. Um espectáculo.

Conversa para cá, conversa para lá, não foi preciso muito para estar em franca harmonia com toda a comitiva do hotel, com quem fui travando amizade. O costume… Devo destacar que as refeições eram óptimas, pelo que os repastos eram sempre um momento especial, sobretudo se acompanhado de uns valentes copos para nos aquecer a alma. Tudo isto dava mais alente para enfrentar as pistas de neve, os teleféricos, as longas descidas e – claro! – os valentes tombos que são sempre uma tradição de umas férias na neve.

Ao fim de algum tempo naquela estância, no hotel, dou de caras com uma vedeta da cena internacional, da qual (devo confessar) sou grande fã: Phil Collins. Não demorou muito até ter oportunidade de travar conhecimento com ele… Ao jantar, num serão magnífico, aproximei-me dele. “Hello, I’m Phil”, disse, simpaticamente. Toda aquela imagem que temos das estrelas da música, de que são pessoas vaidosas, arrogantes, distantes… não se confirmou.

O Phil Collins revelou, na verdade, uma simplicidade e uma simpatia que, sinceramente, não esperava. Vinte estrelas! Conversámos bastante, durante muito tempo, e aquele serão até teve direito a show de bateria por parte de Mr. Collins. Inesquecível…

No dia seguinte, após uma animada sessão de Ski e mais uma coleção de trambolhões para juntar aos anteriores, aqui o vosso escriba e Phil Collins foram dar uma volta de carro sobre a neve, mas sem correntes. Após alguns minutos de adaptação em que se andou relativamente devagar (para não assustar o rapaz, claro), comecámos a andar mais depressa e o Phil estava deveras impressionado com os meus dotes de condução. Ao mesmo tempo, ia-lhe contando o meu passado na competição automóvel, tanto que ele próprio revelou ser um apaixonado pelas corridas.

Ao fim de uma hora já dava direito a grandes atravessadelas e travagens de pé esquerdo, a recordar os gloriosos tempos em que corri no Karting (76/77), com os Casal 125cc com caixa de seis velocidades, com ponto-morto entre cada mudança (ai tanto “prego!). O Phil estava deveras impressionado e quis passar ele também para o volante…embora fosse um bocado azelha.

Ficámos com uma amizade para durar. Ainda hoje mantemos contacto regularmente e, sempre que ele dá um concerto nas proximidades, lá nos encontramos para matar saudades. Não falto a um concerto. E já agora, se quiserem, tenho o número de telemóvel dele… É mesmo só para os amigos! Foram umas férias inolvidáveis e uma prova inequívoca de que a humildade e o carácter estão dentro das pessoas e não em qualquer “máscara” que possam ter.